terça-feira, 4 de julho de 2017

Casos de traição: detetive fatura até R$ 40 mil por mês

Investigador utiliza métodos tradicionais e tecnologia para desvendar casos

Investigação, perseguição e flagrante. Essas são algumas das etapas do trabalho de um detetive particular. Além de estar sempre atento, agora o profissional também pode contar com o auxílio da tecnologia. Com alguns resursos de programas é possível reduzir o tempo de investigação e resolver casos simultaneamente. Devido a essa estratégia, a renda dos detetives particulares atuantes no Recife varia de R$ 5 a R$ 40 mil por mês. Casos de adultério são os mais comuns entre os clientes.
Através de único programa é possível monitorar todos os passos do companheiro. Basta uma mensagem, através do celular, e o investigado é localizado e encontros são descobertos e flagrados. Essa é uma das estratégias utilizadas por alguns detetives particulares. Com esse tipo de recurso, os casos são resolvidos com mais agilidade. “Antigamente a investigação durava 15 dias. Hoje pode ser resolvida em três dias ou até horas”, diz o investigador Ferreira, como é conhecido. 
“Quem contrata o serviço presenteia a pessoa que está será investigada com um celular. Nele, há um programa que registra conversas, arquivos e até monitora a localização. Com esse ‘presente de grego’, a única forma de não ser achado é desligando o celular", exemplifica o detetive. Em entrevista ao Portal LeiaJá, o profissional relatou que as técnicas tradicionais, como a perseguição, por exemplo, são realizadas, mas só ocorrem para registrar os fatos. "Nessas situações são utilizados câmera fotográfica, filmadoras e gravadores", explica.
Além dos casos de traição, outros trabalhos corriqueiros são questões policiais e fraudes empresariais. De acordo com o investigador, dos clientes que contratam os serviços, 80% pedem investigação para problemas extraconjugais, 15% para casos de família, relacionados a drogas e idoneidade, e 5% acerca de campanhas políticas e casos de empresas e funcionários. 
Em relação aos trabalhos de traição, o detetive diz que homens e mulheres contratam com frequência parecida, porém, com objetivos diferentes. “As mulheres, normalmente, não seguem adiante com o processo de investigação, e quando confirmam a traição, preferem continuar com os maridos. Já os homens vão até o final e o principal desejo deles é adquirir provas e para expor a infidelidade da esposa para a família e se separar”, explana.
Foi o que aconteceu com o caso do vídeo abaixo. “O marido estava sendo traído pela segunda vez pela esposa, e ela mantia relação com quatro homens diferentes. O cliente começou a desconfiar da traição porque a mulher não o procurava mais na cama", conta o detetive. Assista a investigação:
Para contratar o trabalho do detetive particular, o futuro cliente paga o valor da diária, que pode oscilar de R$ 500 a R$ 1,5 mil, dependendo da dificuldade do processo a ser apurado. Quanto ao tempo de investigação, ele pode variar de acordo com o caso. O investigador elenca oito indícios que apontam traição extraconjugal: "Encerrar uma ligação rápido, não ler mensagens na presença do companheiro, evitar atender alguns telefonemas, receber ligações em horários inapropriados, viver conectado à internet, ficar até tarde no trabalho, fazer viagens inesperadas e evitar ter relações sexuais com o companheiro são algumas delas". 
Mesmo sem ser um profissional regulamentado, o investigador afirma que é possível obter uma renda mensal de R$ 5mil a R$ 40 mil. “Atingimos esse valor pela praticidade que os programas de tecnologia proporcionam. Hoje seguimos o investigado já com a certeza do encontro ou do ato irregular que precisamos capturar”, justifica o detetive.  
Implicações legais

De acordo com o especialista em Responsabilidade Civil e Direito de Família, Thiago Varejão, antigamente traição era crime contra a família, porém, a lei que defendia foi revogada. "A partir de 28 de março de 2005, a Lei 11106 revogou o artigo 240 do código penal, que previa a detenção de 15 dias a seis meses as pessoas que traiam", explica Varejão.
Ainda de acordo com o especialista, os trabalhos de investigação de infidelidade serviam para o divórcio. "A mulher deixava de usar o nome do marido, a guarda dos filhos não ficava com quem cometia o adultério, a pensão muitas vezes era suspensa e até ocorria partilha de bens", relembra.
Em relação aos recursos utilizados para investigação, o especialista Thiago alerta: "Os trabalhos tradicionais de perseguição, por exemplo, não apresentam problema, porém, os que invadem a privacidade do investigado, como interceptação de comunicação, por exemplo, podem acarretar processo e indenizações", afirma.
Ele ainda exalta que a invasão de privacidade fere o artigo 5°, inciso X, da Constituição Federal. "São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação", conclui.
Fonte: http://www.leiaja.com/carreiras
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